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Deixem o Indie em Paz

Gostar de poesia #1

Parece bem gostar de poesia. Fica bonito colocar fotos de um poema nas redes sociais, mas será que isso, muitas vezes, não é mais show off do que outra coisa?

 

Com excepção de Fernando Pessoa ortónimo, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, que li no secundário e uns anos depois, a minha relação com a poesia nunca foi mais além durante esses tempos. Há uns dois anos, decidi inverter essa tendência e ir introduzindo alguns livros de poesia no meu plano de leitura, comecei com A Casa, a Escuridão, de José Luís Peixoto, li-o de um trago e classifiquei-o com cinco estrelas, agora que penso nisso, gostava de o ler novamente para ver se a minha opinião ainda se mantém. Li também Fogo, de Gastão Cruz, não gostei tanto, não percebi o que ele queria transmitir e esse é o principal problema com que me deparo em relação à poesia.

 

Quando se lê poesia, é, na maioria das vezes, necessário ler nas entrelinhas e isso dá trabalho, algo que nem todos estão para ter quando pegam num livro para ler, noutros casos, o meu, trata-se mais do desânimo de ler e reler a mesma coisa vezes sem conta e mesmo assim não compreender, nem encontrar um sentido naquele rio de palavras.

 

Mas também há coisas boas, um determinado poema pode ter um significado para nós e um significado diferente para outra pessoa, um determinado poema pode tocar-nos profundamente e não significar nada para outra pessoa. É essa a beleza da poesia, cada um pode interpretar à sua maneira e, pasme-se, podemos estar todos certos, aliás, poderemos até nunca entender o que o autor pretendia transmitir, mas, ainda assim, dele retirarmos algo para nós.

 

Li também Como Uma Flor de Plástico Na Montra de Um Talho, de Golgona Anghel, do qual gostei bastante, e Resumo – a poesia em 2013, uma colectânea editada pela Documenta, que foi uma óptima forma de conhecer outros autores através de três ou quatro poemas seus, permitindo-me antever se valeria a pena comprar um livro de um determinado autor ou se simplesmente não fazia o meu género. Por fim, li Primeiros Poemas/As Mãos e Os Frutos/Os Amantes Sem Dinheiro, de Eugénio de Andrade (o primeiro volume da colecção da Assírio & Alvim, que referi há uns dias). Eugénio de Andrade tem algo que aprecio muito, diz tanto em poemas (na sua maioria) curtos e com palavras simples. Não é preciso fazer um esforço enorme para o compreender e está carregado de beleza, algo que nem sempre se alcança quando lemos um romance.

 

No fundo, o que mais gosto quando leio poesia é de entrar no ritmo das palavras e o poema fazer-me sentido e, depois, se assim o entender, lê-lo de novo, de forma a sorvê-lo melhor, e não lê-lo vinte vezes até conseguir retirar algo para mim.

 

(a segunda parte sairá noutro post)