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Deixem o Indie em Paz

O Crocodilo que Voa

No início desta semana terminei a leitura das entrevistas a Luiz Pacheco. O facto de ter lido esta entrevista do seu filho Paulo, pouco depois de ter começado a ler este livro, deixou-me de pé atrás em relação à mítica figura que é Luiz Pacheco. A sua vida pessoal era caótica, tantas mulheres, tantos filhos. As mulheres com quem se envolveu eram muito mais novas do que ele, algo que lhe valeu várias idas ao Limoeiro, por exemplo, a mãe de Paulo tinha 15 anos quando este nasceu, enquanto Pacheco tinha 38. A diferença de idades por si só não me faz confusão, mas nestes casos em que a mulher é menor deixa-me reticente em relação ao homem. 

Após ter lido o livro, continuo a não ser fã da maluqueira que caracteriza as suas relações, nem do tratamento que dava (neste caso, que não dava) aos filhos, muitos foram parar à Casa Pia.

Independentemente do bem que fez pela literatura (para além dos textos que escreveu, destacou-se sobretudo como editor, editando pela primeira vez escritores como Herberto Helder, Mário Cesariny, Vergílio Ferreira, Natália Correia, entre outros), algo que é inquestionável, e da forma como dizia tudo o que queria sem receio das consequências, foi-me particularmente difícil sentir qualquer tipo de apreço por ele nas entrevistas iniciais, devido ao que referi nos dois primeiros parágrafos. No entanto, à medida que os anos e as entrevistas vão passando, o seu notório envelhecimento, a estadia em lares e as histórias que se repetem fazem com que se comece a sentir um certo carinho por Luiz Pacheco, pondo-se um pouco de lado a sua caótica vida pessoal (eu pelo menos consegui, algo que não julgava possível).

Tive pena deste livro ter acabado, sinto que poderia ter lido mais cem páginas destes últimos tempos de Pacheco. Gostei particularmente do seu apreço pelo Saramago e pelo Herberto Helder, das suas desavenças com Cardoso Pires, gostei sobretudo da forma como se deixava levar pela entrevista.

 

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