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Deixem o Indie em Paz

Álbum da semana #11

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Já ouço Parquet Courts há, sensivelmente, um ano e vi-os no Alive no Verão passado, pouco depois de os ter conhecido. Gostei muito, apesar de na altura apenas conhecer as músicas do Light Up Gold (2012) e a maioria das músicas que tocaram ser deste Sunbathing Animal (Junho de 2014).

Os Parquet Courts são uma banda americana de indie rock formada em 2010, composta por quatro elementos, dos quais se destaca Andrew Savage, sendo estes conhecidos também como Parkay Quarts (Content Nausea, Novembro de 2014). As suas músicas são, regra geral, energéticas e aceleradas, num estilo muito seu, rompendo com as convenções associadas ao rock e ao punk. 

Light Up Gold parece-me mais homogéneo em termos energéticos, afinal, são quinze músicas em apenas 33 minutos, enquanto Sunbathing Animal inclui músicas mais morosas com diferentes ritmos, não tão aceleradas. Diz-se que este último álbum é melhor do que Light Up Gold, mas a verdade é que me parecem os dois muito bem.

A minha preferida é a Ducking & Dodging seguida de Dear Ramona e Instant Disassembly. 

Oito em dez.

 

Retrato do fim-de-semana

Quase se pode dizer que o fim-de-semana começou quinta-feira à noite, juntamente com a série de três concertos de Linda Martini no Music Box, dois EPs (Linda Martini + Marsupial), Olhos de Mongol e Casa Ocupada, mais três encores com direito a covers e algumas músicas do Turbo Lento, foi bonita a festa pá, e ainda deu para descobrir, apenas no último dia (!), dia em que ficámos mais à frente, que a Cláudia está grávida e ainda anda ali a tocar como se não tivesse uma barriga de uns seis meses, digo eu.

 

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Pelo meio, ainda houve tempo de comprar o primeiro volume de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, publicado há mais de cinquenta anos e que quero muito ler. Aproveitei os 20% de desconto em todos os livros da Fnac e lá deixei os livros “Em falta na estante” para depois, embora tenha sido preciso visitar duas Fnacs diferentes para o encontrar, ultimamente, sempre que quero alguma coisa nunca a encontro à primeira, será algum tipo de sinal para não gastar dinheiro? Deve ser, prometo que este mês (Abril) não adquiro mais livros, OK?

 

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Por fim, vivi uma espécie de odisseia para comprar uma televisão em promoção na Worten, que vimos no sábado, mas só decidimos comprar no domingo. Quando lá voltámos no domingo, já não havia a televisão que queríamos, aliás, na zona de Lisboa, só estava disponível na Worten de Loures. O senhor da Worten onde estávamos mandou reservar a televisão em Loures, OK, então vamos lá ao LouresShopping, Tens a certeza que só existe uma Worten em Loures?, Claro que sim. Pois, afinal parece que não, lá ficámos meia hora à espera que o funcionário mais simpático de sempre da Worten fosse à outra Worten que existe em Loures buscar a televisão, para não termos de ir nós, que nem sabíamos onde ficava. Mais, só descobrimos que estávamos na Worten errada de Loures, depois de comprarmos uma televisão exactamente igual à que queríamos, apenas diferente no tamanho (42 polegadas em vez de 47), felizmente, demos por isso antes de sairmos da Worten. A televisão que realmente queríamos não estava disponível no LouresShopping, lá está, nunca encontro as coisas à primeira, neste caso, nem mesmo à segunda. Lá foi o senhor na sua demanda, toca de colocar o dinheiro gasto em cartão Worten, o senhor voltou, toca de pagar os 20€ de diferença e lá pudemos levá-la, finalmente, para casa, mas à pressa, porque tínhamos de sair novamente. Só às onze da noite é que instalámos a nova televisão que até tem 3D e é tão bonita, ai meu Deus, estou mais cansada do que antes do início do fim-de-semana, o facto de a hora ter mudado também não ajudou aqui a pessoa que se deitou às duas e três da manhã dois dias consecutivos.

 

Lacuna musical #2

Esta semana foi a vez de ouvir pela primeira vez Palma Violets, banda de indie rock britânica que tem, até agora, apenas um álbum, 180 (2013).

 

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O segundo álbum, Danger In the Club, já tem data marcada, 5 de Maio de 2015, e, no dia 18 de Julho, os Palma Violets irão actuar no SBSR, no palco EDP. Adoro todas as músicas do 180, aliás, tenho imensa pena de só ter começado a ouvi-lo agora, é a minha cara e só espero que o segundo álbum seja tão bom ou melhor que este. Banda excelente para quem gosta de The Libertines, The Strokes e The Vaccines.

 

O Véu Pintado (livro e filme)

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Depois de ter lido O Véu Pintado, de Somerset Maugham, decidi ver também o filme em que Naomi Watts e Edward Norton protagonizam Kitty e Walter Fane.

Apesar de ter sido o primeiro livro que li de Maugham, deu para perceber que este autor é muito bom na construção dos seus personagens, algo que também já tinha lido em algumas críticas aos seus livros. No entanto, faltou-me qualquer coisa, não senti empatia por Kitty, apenas pena e, por vezes, alguma irritação, o mesmo se passou em relação a Walter. Gostei da evolução de Kitty enquanto personagem ao longo do livro, mas perto do fim voltou a desiludir-me, quando não esperava que o pudesse fazer. O final do livro pareceu-me abrupto e muito (demasiado) cliché. No meu caso, ao não ficar definida uma relação de amor ou ódio com nenhum dos personagens, torna-se muito complicado adorar um determinado livro. Em suma, O Véu Pintado é uma história escrita de forma simples e a sua leitura é fluída, pelo que o li num ápice, o que acabou por compensar, em parte, a falta de empatia com os personagens.

Quanto ao filme, para além de pequenas discrepâncias em relação ao livro, que são normais, e de alguns momentos se passarem muito rapidamente no filme, fiquei decepcionada sobretudo com o final, bastante diferente do livro. Não por gostar mais do final do livro, aliás, não fiquei particularmente fã de nenhum deles. Novamente, não senti qualquer empatia pelos personagens, embora tenha gostado bastante do desempenho de Naomi Watts, que me fez ficar a gostar um pouco mais de Kitty. Fiquei também com a sensação de que Walter, no filme, tem uma personalidade, em alguns momentos, mais agressiva do que no livro, onde este era apenas frio e, forçadamente, indiferente. A participação de Edward Norton é interessante, mas não me fascinou. O que realmente gostei no filme foram os retratos de Mei-tan-fu e do surto de cólera, que apesar de descritos no livro, não me pareceram tão intensos quanto as imagens do filme.

 

Em falta na estante #5

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Nuno Camarneiro venceu o Prémio Leya 2012 com Debaixo de Algum Céu, mas primeiro queria ler No Meu Peito Não Cabem Pássaros, o seu primeiro romance.

Acho o título encantador, adoro a capa, e, pelas críticas que li, penso que vou gostar muito deste romance, quer pela forma como foi escrito, capítulos curtos e escrita poética, quer pelos seus três personagens principais, Fernando (Pessoa), Franz (Kafka) e Jorge (Luís Borges) que, embora separados por milhares de quilómetros, vivem no mesmo tempo e experienciam a passagem de dois cometas pela Terra, em 1910.

 

No Meu Peito Não Cabem Pássaros

Nuno Camarneiro

2011

Dom Quixote

 

Herberto Helder

Foi com choque que li as notícias que hoje anunciavam a morte de Herberto Helder. Não acredito em coincidências, mas não posso deixar de escrever neste post que este domingo fui jantar a Cascais e, quando passámos de carro pela casa que se diz ser a residência de Herberto Helder, o meu namorado disse-me, Diz adeus ao Herberto, e eu disse.

O meu conhecimento acerca do escritor baseia-se apenas naquilo que ouvi falar sobre a sua obra (só ouvi coisas boas) e nas inúmeras histórias que se contam sobre as edições que se esgotaram em dias e se revenderam (e revendem – nem quero imaginar agora) depois a centenas de euros. Ao longo dos últimos dois anos, adquiri vários livros seus, entre os quais, Photomaton & Vox, Os Passos em Volta, Servidões e A Morte sem Mestre, mas nunca ganhei coragem para os ler, ia-me sempre escapando com um, Vou ler a seguir, mas não cheguei a ler.

Curiosamente, o livro de entrevistas a Luiz Pacheco que estou a ler refere-o inúmeras vezes e já tinha pensado que a leitura de, pelo menos, uma das suas obras tinha mesmo de ser para breve.

Tenho de encher-me de coragem para começar a ler aquele que se diz ser um dos maiores poetas portugueses e que, infelizmente, já partiu.

 

Álbum da semana #10

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Numa das minhas viagens de carro, ouvi uma música de Kisses na Radar, infelizmente não me lembro do nome da mesma, só consegui tomar nota da banda, que desconhecia por completo. Este fim-de-semana, fui investigar e, pelas duas ou três músicas que ouvi, percebi que se tratava de mais uma boa banda para explorar.

Ainda só ouvi o seu primeiro álbum, este The Heart of The Nightlife (2010), ficando-me a faltar Kids in LA (2013). Quando oiço Kisses fico com a sensação de “isto faz-me lembrar…”, mas não consigo referir nenhuma banda em concreto que seja parecida, até já procurei bandas relacionadas, mas nada me chamou a atenção. A sua música é, por vezes, tremendamente dançável, sendo exemplo disso, Midnight Lover, a minha preferida do álbum. Em contraste, The Heart of The Nightlife apresenta também músicas tranquilas, que apetecem ouvir de olhos fechados, como é o caso de Women of The Club, que no fim também dá uma certa vontade de dar um pezinho de dança (ando feita uma dançarina, é o que é). Óptima descoberta primaveril. 

Sete em dez.

 

Só Se Te Parecer Bem II

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Depois de terminar O Crocodilo Que Voa (Entrevistas a Luiz Pacheco) e Aleluia! (de Bruno Vieira do Amaral), em conjunto com a Granta Portugal 2: Poder, vou ler A Pista de Gelo. Estou a gostar de ler vários livros ao mesmo tempo, mas isto, comigo, só funciona bem com certo tipo de livros.

Vou voltar a Roberto Bolaño, de quem, até agora, apenas li Os Detectives Selvagens, um dos poucos livros que gostaria de reler um dia, porque demorei vários meses a lê-lo, há coisa de dois anos atrás, e, consequentemente, perdi-me um pouco na história, dando-lhe uma classificação que penso não fazer jus à qualidade do livro. Não sei se será depois de A Pista de Gelo (primeiro livro publicado por Bolaño, em 1993), mas até gostava que fosse. Mais, gostava muito de tomar notas quando voltar a lê-lo.

Tomar notas, ah!, como eu gostava de ter tempo e organização para o fazer, talvez um dia quando deixar de trabalhar e passar a dedicar-me apenas à leitura e às viagens.

 

 

Mas já nada é sagrado?

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ilustração de Afonso Cruz

 

 

É o título de um belíssimo texto de Salman Rushdie, que faz parte da Granta Portugal 2: Poder (traduzido por António Costa Santos e publicado originalmente na Granta 31, Primavera de 1998). Podia citar praticamente todo o texto, mas o que verdadeiramente me agarrou ao mesmo foi este parágrafo no final da primeira página.

 

É sempre para mim um choque conhecer pessoas sem interesse pelos livros e pessoas que troçam do acto de ler, para não falar nisso de escrever. Talvez seja sempre surpreendente perceber que o objecto do nosso amor não é aos olhos dos outros tão atraente como para nós. (…)

 

Este Mas já nada é sagrado?, de Rushdie, mistura religião e literatura no mesmo texto, de uma forma deveras interessante. Rushdie apresenta, em seu nome, mas pela voz de Harold Pinter, a teoria de que a linguagem é a principal causa da violência (defendida por Arthur Koestler), uma vez que é necessário um certo nível de sofisticação na linguagem para se poder definir conceitos abstractos. Ora, só ao dispormos dessa sofisticação, é que podemos usar da totemização, o que, por sua vez, dará origem a disputas entre pessoas e/ou grupos que defendem diferentes totems. Exemplo disso é o facto das religiões tentarem-se anular umas às outras, fazendo valer os seus textos sagrados em detrimento dos outros, ou seja, totemizam o seu Deus através da sofisticação da linguagem.

Contrariamente à religião, que poderá ser vista como um manual de instruções que contém um conjunto de respostas às grandes questões da nossa existência, algo que considero semelhante às palas colocadas na parte lateral exterior dos olhos de certos animais, o que certamente irá causar um choque com outras mentalidades devido à sua rigidez, a literatura permite-nos dispor de um olhar que pode abranger todos os ângulos que a nossa visão alcança.

A literatura é vista como sendo desprovida de poder sobre o indivíduo e deverá existir apenas enquanto realidade questionável, pois, através das diversas vozes que nela encontramos, seremos críticos quanto ao que nos rodeia, sem termos de obedecer a regras pré-estabelecidas e que podem condicionar o nosso pensamento. Podemos e devemos, assim, questionar tudo o que nos é, à partida, imposto pelos outros como verdade absoluta.

 

Só por isto já valeu a pena ler esta Granta. Gosto tanto quando os textos/autores me deixam a pensar e surpreendida pelo facto de nunca ter visto as coisas pela sua perspectiva, logo eu, céptica-mais-céptica-não-há. “Felizes os que acreditam sem terem visto”? Pois, para mim não dá.

 

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