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Deixem o Indie em Paz

We're half awake in a fake empire

Acordou com os braços estendidos na direcção da cabeça, dormentes e sem acção, desobedientes quando colocados em movimento. A sua mão direita tateava desajeitadamente pela mesa de cabeceira, numa luta desesperada para distinguir o telemóvel da restante parafernália que lá se encontrava depositada e poder, enfim, desligar o despertador que a tinha acordado de um sono profundo. Conseguiu desligar o despertador antes de recuperar a totalidade das acções que os músculos dos braços e das mãos lhe proporcionavam em estado normal.

Levantou-se, ainda de olhos fechados, guiando-se pelo quarto, de mão na parede, depois, na cómoda, até à porta, numa busca que havia já empreendido tantas vezes noutras manhãs semelhantes àquela. Sentia as pálpebras cristalizadas, demasiado pesadas, como se a força gravítica que actuava sobre elas fosse centenas de vezes superior à normal, e os olhos inchados. Já na casa de banho, abriu lentamente os olhos em frente ao espelho manchado de salpicos de pasta de dentes e água, admirando o aspecto disforme que a sua cara revelava naquela manhã de Outubro.