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Deixem o Indie em Paz

Sobre as primeiras leituras de 2016...

No dia 1 de Janeiro, comecei a ler Dom Quixote e percebi logo que não iria ser tarefa fácil. Não que seja complexo, simplesmente, não o consigo ler com a minha cadência habitual de leitura, o que irá sem dúvida arrastar esta experiência mais tempo do que esperava. Não é um livro para ler numa semana (a menos que não se faça mais nada durante essa semana e se respire e expire Dom Quixote), mas duvido que o consiga ler num mês. Uns dias depois peguei no Maus, de Art Spiegelman, que devorei num instante. Apesar dos erros de sintaxe/gramaticais (ainda que propositados), coisa que me mexe tremendamente com os nervos, consegui ver a beleza deste livro (li a edição com os dois volumes) e foi um dos livros sobre o Holocausto que mais me emocionou. Logo a seguir a Maus, comecei a ler os Contos Exemplares, de Sophia de Mello Breyner Andresen, para o meu projecto Leia Mulheres de 2016. Tem contos maravilhosos e foi impossível não relembrar O Rapaz de Bronze e A Fada Oriana, lidos há tantos anos. A escrita de Sophia é tão elegante, cuidada e tão sua, que seria impossível não adivinhar que estava a ler um livro seu, se estes Contos Exemplares me fossem dados a ler sem que me dissessem o seu autor. Ainda bem que voltei a ler Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

Leia mulheres

Em mais de quarenta livros, este ano, li apenas quatro livros escritos por mulheres. Mataram a Cotovia, de Harper Lee, Sejamos Todos Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie, Vim Porque Me Pagavam, de Golgona Anghel, e Ana de Amsterdam, de Ana Cássia Rebelo. Dos livros que decidi ler até ao final do ano, um terço são escritos por mulheres, Adoecer, de Hélia Correia, A Amiga Genial, de Elena Ferrante (considerando que se trata de uma mulher), e O Chão dos Pardais, de Dulce Maria Cardoso.

Não gosto de me sentir obrigada a nada, mas, depois do manifesto "Leia Mulheres" que vi (e ainda vejo) pelas redes sociais, apercebi-me que a maioria dos autores que leio são homens. É uma constatação, de certo modo, óbvia, já que o número de escritores é muito superior ao de escritoras, pelo que a probabilidade de ler homens é muito maior, se olharmos para toda a oferta de livros que temos à nossa disposição. Até gostava de fazer uma contagem dos livros que tenho lá em casa e ver quantos são escritos por mulheres.

Não se trata de preconceito no acto de compra/leitura de livros, aliás, não dei menos de quatro estrelas aos quatro livros escritos por mulheres que li este ano e prevejo que vá gostar muito destes três que ainda pretendo ler. Nunca senti que estivesse a desprezar as mulheres escritoras, mas, a partir de agora, vou tentar ler mais mulheres. Não vou é adoptar um sistema de quotas mínimas de mulheres por ano, ou um livro por mês, etc. Não quero definir obrigações, apenas gostava de lhes dar uma maior atenção.